19/05/2010

Enviado em minha mente às 11:47 por Perseu

e o que você fará com teu imenso amor com que dizes me socorrer quando os delírios ficarem mais constantes e eu começar a vomitar sangue perder os dentes cagar na cama quando olhares para meus lábios que dizias serem carnudos e bons quando te beijava e te lambia inteira e cada vez mais depressa tornarem-se dois riscos murchos balbuciando coisas incompreensíveis e meus olhos ah meus olhos tão intensos e inquietos e infantis ah estes olhos que você não mais reconhecerá quase cegos ah por que tantos anos de esperança nesse amor dirás ou pensarás em voz alta e queixarás ao demiurgo que chamas de deus e teu eterno amor ganhará cores cinzas e frias e quase me odiarás por eu ter sido assim sempre acreditando que eu gostava de ser um louco carrasco de mim mesmo agora assim eternamente assim prisioneiro e quando chegar aquele dia que nunca sabemos quando tu estarás certa de que já não percebo nada e contrariando toda a ciência sim sim eu estarei ainda presente ainda mais inteiro castigando-me com uma tamanha lucidez com uma tamanha crueldade e não saberás da piedade que terei por ti e uma voz muda dentro daquilo que fui eu gritando culpado culpado culpado subindo para o inferno exterior onde existem flores e coisas como manhãs sol terra e teu amor não terá mais importância mesmo que tenha sido sincero e nem meu nome e nem mais nada e nunca mais enganos veja estou ficando livre das correntes por que não precisa? porque não preciso

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